1º ANO - INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - LINGUAGEM

QUARTA ATIVIDADES DE PORTUGUÊS – 1 ANO –

INTERPRETAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTO - POSTADA EM 12/05/20


A linguagem falada não é um elemento fixo e imutável. Ao contrário, reflete mudanças do meio social. Vem se transformando através dos tempos e – o mais notável – pode mudar, dentro de uma mesma época, de acordo com as circunstâncias sociais.
Ao ler o texto de Carlos Drummond de Andrade, que viveu no século XX (1902-1987), você vai sentir a afirmação acima e vai se divertir com o inusitado da linguagem através dos tempos.

ANTIGAMENTE
Antigamente as moças chamavam-se “mademoiselles” e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhe pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia.
As pessoas, quando corriam, antigamente, era para tirar o pai da forca, e não caíam de cavalo magro. Algumas jogavam verde para colher maduro, e sabiam com quantos paus se faz uma canoa. O que não impedia que, nesse entremente, esse ou aquele embarcasse em canoa furada. Encontravam alguém que lhes passava a manta e azulava, dando às de Vila-Diogo.
Os mais idosos, depois da janta, faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomavam cautela de não apanhar o sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatógrafo, chupando balas de alteia. Ou sonhavam em andar de aeroplano. Estes, de pouco siso, se metiam em camisa de onze varas e até em calças pardas; não admira que dessem com os burros n’água.
Havia os que tomavam chá em criança e, ao visitarem uma família da maior consideração, sabiam cuspir na escarradeira. Se mandavam seus respeitos a alguém, o portador garantia-lhes: “Farei presente”. Outros, ao cruzarem com um sacerdote, tiravam o chapéu, exclamando: “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”; ao que o cumprimentado respondia: “Para sempre seja louvado”. E os eruditos, se alguém espirrava – sinal de defluxo – eram impelidos a exortar: “Dominus tecum”.
Embora sem saber da missa a metade, os presunçosos queriam ensinar padre-nosso ao vigário, e com isso punham a mão em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a tramontana. A pessoa cheia de melindres ficava sentida com a desfeita que lhe faziam quando, por exemplo, insinuavam que seu filho era artioso. É verdade que às vezes os meninos eram encapetados, e chegavam a pitar escondido atrás da igreja. As meninas não: verdadeiros cromos, umas teteias.
Antigamente, certos tipos faziam negócios e ficavam a ver navios; outros eram pegados com a boca na botija, contavam tudo tintim-por-tintim e iam comer o pão que o diabo amassou, lá onde Judas perdeu as botas.
Uns raros amarravam cachorros com linguiça. E alguns ouviam cantar o galo, mas não sabiam onde. As famílias faziam sortimento na venda, tinham conta no carniceiro e arrematavam qualquer quitanda que passasse à porta, desde que o moleque do tabuleiro, quase sempre um “cabrito”, não tivesse catinga. Acolhiam com satisfação a visita do cometa, que, andando por ceca e meca, traziam as novidades “de baixo”, ou seja, do Rio de Janeiro. Ele vinha dar uma prosa e deixar presente ao dono da casa um canivete roscofe. As donzelas punham carmim e chegavam à sacada para vê-lo apear do macho faceiro. Infelizmente, alguns eram mais que velhacos: eram grandessíssimos tratantes.
Acontecia o indivíduo apanhar uma constipação; ficando perrengue, mandava um próprio chamar o doutor e, depois, ia à botica para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a phtysica.
Antigamente os sobrados tinham assombrações; os meninos, lombrigas; asthma, os gatos; os homens portavam ceroulas, botinas e capa de goma; a casimira tinha de ser superior e mesmo X.P.T.O. London; não havia fotógrafos, mas retratistas e os cristãos não morriam: descansavam.
Mas tudo isso era antigamente, isto é, outrora.
(Carlos Drummond de Andrade, Quadrante, 14ª Edição, Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1966)




A. Copie as opções no caderno e faça a correspondência entre as frases que contenham o mesmo significado:

Coluna I

a. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhe pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio.
b. E se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva.
c. As pessoa, quando corriam, era para tirar o pai da forca.
d. O que não impedia que esse ou aquele embarcasse em canoa furada.
e. Estes, de pouco siso, se metiam em camisa de onze varas e até em calças pardas.
f. Não admira que dessem com os burros n’água.
g. Ao visitarem uma família de maior consideração, sabiam cuspir na escarradeira.
h. Antigamente, certos tipos faziam negócios e ficavam a ver navios.
i. Outros eram pegados com a boca na botija.
j. Jogavam verde para colher maduro.
k. Sabiam com quantos paus se faz uma canoa.
l. Faziam o quilo, saindo para tomar a fresca.
m. Embora sem saber da missa a metade, os presunçosos queriam ensinar padre-nosso ao vigário e com isso punham a mão em cumbuca.
n. Era natural que com eles a gente perdesse a tramontana.
o. Ouviam o galo cantar, mas não sabiam onde.
p. Uns raros amarravam cachorros com linguiça.

Coluna II

1. ( ) Não admira que se dessem mal.
2. ( ) Faziam negócios e ficavam sem nada.
3. ( ) Os mauricinhos, mesmo não sendo boas pintas, paqueravam, mas ficavam curtindo uma de esperar.
4. ( ) Ao visitarem uma família bem instruída, sabiam portar-se devidamente.
5. ( ) O que não impedia que esse ou aquele entrasse numa fria.
6. ( ) Outros eram pegos em flagrante.
7. ( ) Se levavam um fora, o jeito era sair pra outra.
8. ( ) As pessoa só se apressavam, só corriam em casos extremos.
9. ( ) Estes, de pouco siso, metiam-se em confusões.
10. ( ) Uns poucos viviam na riqueza, esbanjando à vontade.
11. ( ) Procuravam sondar, davam uma pequena “dica” para obter informações maiores.
12. ( ) Tinham ouvido falar, por alto, no assunto mas não conheciam os detalhes.
13. ( ) Conheciam muito bem o assunto, estavam bem informados.
14. ( ) Era natural que com eles a gente se desnorteasse, se atrapalhasse até perder a paciência.
15. ( ) Digeriam tranquilamente a refeição dando uma voltinha.
16. ( ) Embora, por fora do assunto, queriam dar uma de entendidos e aí se complicavam.

B. Traduza o texto de Carlos Drummond de Andrade, para a linguagem padrão atual, porém sem usar gírias grosseiras ou expressões idiomáticas.

(No caderno, faça sua produção em uma folha à parte)
Entregue a atividade o prazo determinado pela professora !!!
Obs.: Apenas 4 alunos do 1º ano (2020) têm entregue as atividades durante a quarentena.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ATIVIDADES DE INGLÊS – SIMPLE PRESENT – 2º e 3º ANO - Ensino Médio

ATIVIDADE 2º ANO - leitura de imagem e compreensão de texto

3° ANO - ATIVIDADES GUERRA DE CANUDOS